Devolver estabilidade ao joelho quando o ligamento não recupera a função sozinho.
O joelho tem quatro ligamentos, e o cruzado anterior é ao mesmo tempo o mais lesionado e o mais operado deles. Ele restringe cerca de 85% da força de deslocamento entre tíbia e fêmur, e sua ruptura acontece na maioria das vezes sem contato — numa rotação com o corpo indo para um lado e a perna para o outro.
A característica que define a conduta é simples: o LCA não cicatriza nem recupera sua função espontaneamente. Tanto a lesão total quanto a parcial acabam demandando cirurgia. Já os outros ligamentos seguem regras próprias, e parte deles se resolve sem operação.
Condições tratadas nesta área
- Ruptura do LCA
- Lesão do LCP
- Lesão do colateral medial
- Lesão do colateral lateral
- Lesões ligamentares múltiplas
- Instabilidade do joelho
Como o IJSP conduz esta área
Diagnóstico em duas camadas
Teste de gaveta anterior e teste de Lachman no exame físico, confirmados por ressonância magnética. Nas lesões múltiplas somam-se radiografias.
Reconstrução com autoenxerto
Enxerto de osso–tendão–patela, semitendíneo e grácil ou tendão quadricipital, fixado em túneis ósseos na tíbia e no fêmur com pinos e parafusos absorvíveis.
Via artroscópica preferencial
A artroscopia agride menos a articulação que a incisão anterior aberta, e por isso é a via de escolha na reconstrução ligamentar.
Reabilitação de 6 a 12 meses
O enxerto passa por revascularização e repopulação celular — a chamada ligamentização — antes do retorno ao treino. O prazo é do processo biológico, não da vontade.
Nem todo ligamento rompido vai para cirurgia
O ligamento colateral lateral isolado raramente exige operação e costuma se recuperar em cerca de seis semanas, com atenção ao risco de comprometimento do nervo fibular. O colateral medial responde bem ao tratamento conservador quando há apenas estiramento ou ruptura parcial; graus III e IV com instabilidade é que passam a demandar cirurgia.
O cruzado posterior também se distingue do anterior: parte das lesões de LCP se recupera de forma espontânea com repouso, e elas aparecem mais em traumas intensos — quedas, acidentes de trânsito, esportes de contato — do que em corrida ou musculação.
Por que o enxerto é de tecido biológico
Nos anos 80 chegou-se a usar materiais sintéticos na reconstrução ligamentar — Dacron, Teflon e polipropileno. Eles se mostraram pouco resistentes e provocaram reações inflamatórias. O tecido biológico do próprio paciente se firmou como o mais efetivo, e é o padrão adotado hoje.
A indicação cirúrgica se concentra no paciente jovem e ativo. Na fase aguda, antes de qualquer decisão, o tratamento é gelo e repouso relativo.
Procedimentos desta área
Cada procedimento tem sua própria página, com técnica, indicação e recuperação em detalhe.
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Perguntas frequentes sobre Lesões Ligamentares e LCA
Lesão de LCA sempre precisa de cirurgia?
O LCA não cicatriza nem recupera sua função de forma espontânea, e tanto a lesão total quanto a parcial acabam demandando reconstrução. A indicação se concentra sobretudo em pacientes jovens e ativos.
Quanto tempo leva a recuperação da reconstrução de LCA?
De 6 a 12 meses até o paciente estar condicionado para voltar a treinar. O enxerto precisa passar por revascularização e repopulação celular, processo chamado de ligamentização.
Qual tecido é usado no enxerto?
Tecido do próprio paciente: osso–tendão–patela, semitendíneo e grácil, ou tendão quadricipital. Materiais sintéticos foram usados nos anos 80 e se mostraram pouco resistentes, com reações inflamatórias.
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