Diante de uma lesão de menisco confirmada, a pergunta do paciente é quase sempre a mesma: dá para costurar? A resposta não depende da vontade de ninguém — depende de anatomia. E o fator decisivo é onde exatamente a lesão está.

A anatomia que decide tudo: zona vermelha e zona branca

O menisco não é irrigado por igual. O terço externo, chamado de zona vermelha, é vascularizado e por isso tem capacidade real de cicatrização — pode fechar sozinho ou responder a uma sutura. Os dois terços internos, a zona branca, praticamente não recebem sangue e não cicatrizam.

Essa diferença explica por que repouso, gelo e anti-inflamatórios costumam trazer pouco ou nenhum resultado em uma ruptura já estabelecida: como a vascularização do menisco é baixa, a regeneração espontânea é insignificante na maior parte das lesões.

Os tipos de ruptura e o que eles indicam

O padrão da lesão também informa o prognóstico. Os tipos descritos são a ruptura longitudinal, a lesão em alça de balde, a oblíqua — também chamada de bico de papagaio ou flap meniscal —, a radial e a horizontal, esta última a mais frequente.

A ruptura horizontal merece atenção porque pode formar cisto do menisco lateral, e atrás do menisco medial pode surgir o cisto de Baker. São achados que mudam o planejamento cirúrgico.

Quando a sutura é possível

A sutura de menisco tenta salvar a estrutura que o paciente já tem. Ela exige três condições somadas:

  • Lesão no terço periférico vascularizado, a zona vermelha;
  • Paciente abaixo de 45 anos;
  • Boa resposta de coagulação e cicatrização.

Um detalhe conta a favor: quando a lesão meniscal vem associada a uma ruptura do ligamento cruzado anterior, a chance de sucesso do reparo melhora, e os dois procedimentos costumam ser planejados em conjunto. A sutura é realizada por artroscopia, com óptica acoplada a uma câmara, o que dispensa a abertura ampla da articulação.

Quando o caminho é o transplante

O transplante meniscal atende um cenário diferente: o menisco já foi parcial ou totalmente removido em uma cirurgia anterior — a meniscectomia — e a dor permanece. Aqui o objetivo é repor a estrutura de amortecimento com tecido de doador.

O perfil do bom candidato é bem delimitado: idade igual ou inferior a 55 anos, histórico de ressecção meniscal prévia, dor significativa com lesão de grande extensão, e paciente não obeso. O procedimento é feito por acesso artroscópico, com incisão pequena, e é menos invasivo que a substituição articular do joelho.

Além de aliviar a dor, o transplante ajuda a prevenir a artrite que costuma seguir a retirada do menisco — e é esse efeito de proteção a médio prazo que justifica a indicação em pacientes jovens.

Como se confirma o diagnóstico

Os sintomas típicos são dor, rigidez, edema local e travamento com bloqueio da amplitude de movimento. No exame físico usa-se o teste de McMurray. A ressonância magnética é o exame que confirma; a radiografia fica reservada aos casos em que também existe artrite.

Vale lembrar que lesão de menisco raramente aparece isolada. Ela convive com frequência com comprometimento do ligamento colateral medial ou do cruzado anterior — avaliar o joelho inteiro é o que evita tratar metade do problema.